Educação para o mundo do trabalho

A indústria brasileira está cada vez mais convicta de que o grande esforço nacional para os próximos anos deve ser focado no aumento da escolaridade e na qualidade da oferta educacional nos diferentes níveis e modalidades. Existem razões de sobra para isso. Uma delas é que, até 2015, a indústria brasileira precisará qualificar 7,2 milhões de profissionais. Outra é que 18 milhões de jovens brasileiros, de 18 a 24 anos, estão fora da universidade e não têm a qualificação necessária para ingressar no mundo do trabalho. Além disso, entre os países mais ricos, 50% dos estudantes fazem educação profissional. No Brasil, esse percentual é de apenas 13% entre jovens de 15 a 19 anos. Sem falar que o percentual de jovens que conclui o ensino médio, com aprendizado adequado em língua portuguesa e matemática, encontra-se estagnado há mais de uma década. O pior: em patamares muito baixos. O Brasil precisa, portanto, avançar urgentemente tanto no acesso como na qualidade da educação básica e profissional.
No ensino técnico, o Brasil conta hoje com um milhão de alunos matriculados nos setores público e privado. Isso representa 10% do total de matrículas no ensino médio – cerca de 10 milhões. Em São Paulo, o estado mais rico da Federação, a proporção é mais elevada: 15%. O que ainda é muito pouco, comparando-se a outros países. Na Argentina, essa relação é de 25%; no Chile, 35%. Na Europa, os índices variam de 22%, em Portugal, a 70% na Alemanha.
Do total de matrículas no ensino técnico, metade é mantida pela rede privada – em torno de 500 mil. É nesse universo que se incluem, entre outros, o Senai, o Senac e a Fundação Bradesco. Também existem diferenças na distribuição regional das matrículas, com mais da metade delas concentradas no Sudeste (568 mil), seguido pelo Sul (204,9 mil), Nordeste (161,7 mil), Norte (52,6 mil) e Centro-Oeste (49,4 mil). Considerando que há uma tendência de expansão industrial na região Nordeste, isso não deixa de ser preocupante. Por exemplo, o caso de Pernambuco, que vem experimentando um crescimento econômico bem acima do Brasil, em decorrência do Complexo de Suape, que conta com grande potencial de geração de empregos.
Um aspecto positivo no esforço de ampliar as matrículas em cursos técnicos tem sido aquele de diversificar a oferta do ponto de vista de sua relação com o ensino médio. Ou seja, podendo ser oferecido integrado, subsequente ou concomitante a essa etapa da educação básica. Os modelos subsequente e concomitante permitem que jovens e adultos que concluíram o ensino médio adquiram uma certificação técnica em três ou quatro semestres. Isso é muito bom para o profissional, que pode se inserir rapidamente no mercado de trabalho, e para o setor produtivo, que em muitas áreas apresenta deficit de profissionais qualificados. No entanto, nada impede que a forma integrada seja mantida para aproveitar a estrutura existente e oferecer o mesmo ensino técnico e médio de qualidade. Em qualquer um dos modelos, o aluno tem de cumprir as respectivas cargas horárias dos ensinos médio e técnico para obtenção da certificação.
Um aspecto relevante, no campo da escolaridade, é que, ao longo dos últimos 25 anos, ocorreu uma mudança importante no perfil dos trabalhadores em empregos formais. Sobretudo no que diz respeito ao nível de instrução. Em 1985, 51,4% dos empregos eram ocupados por trabalhadores que possuíam apenas o ensino fundamental incompleto, enquanto 15,5% tinham o ensino médio. Em 2010, o primeiro caiu para 16,4%, enquanto este último subiu para 41,9%! Empregabilidade e escolaridade andam lado a lado

fonte: cmconsultoria.com.br

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