A educação formal tem que mudar, diz Salman Khan

Uma entrevista exclusiva com o fundador da Khan Academy. ‘A nova geração vive nas redes sociais e adora videogame. Por que não usar mais essas coisas em prol da educação?’
Na sua época de escola e faculdade, você achava as aulas muito chatas?
Salman Khan: Não há um aluno no mundo que goste do modelo de sala de aula em que o professor se limita a explicar a lição, como numa palestra. Eu ficava entediado. Queria usar o tempo com os colegas para debater, compartilhar conteúdo. Percebia uma porção de pessoas inteligentes memorizando a matéria sem entender o conceito.

Qual o argumento para criticar esse modelo? Qual seria o novo caminho?
KHAN: Não há motivo para o mundo seguir um processo tão antigo. O modelo convencional, com aulas simplesmente expositivas, começou no século XVIII. A tecnologia, hoje, nos permite evoluir. Com o modelo de sala de aula invertida, o aluno assiste a um vídeo de 10 minutos sobre a lição e leva dúvidas e conclusões para discutir na escola. A sala de aula vira um local para compartilhar conteúdo. As novas ferramentas criam inúmeras possibilidades. A nova geração vive nas redes sociais e adora videogame. Por que não usar mais essas coisas em prol da educação?

Mas você também vê a tecnologia sendo aplicada de forma errada em escolas? Quais os riscos disso?
KHAN: Meu maior medo é ver as instituições adotando a tecnologia sem planejamento. Depois de perceber que isso não adianta nada, vão dizer que a tecnologia não traz resultado. Tem que haver treinamento de professores, uma mudança no modelo para customizar o ensino, incentivar esse compartilhamento entre alunos. A tecnologia por si só, sem um engajamento, é como o giz: apenas mais uma ferramenta.

Os professores, de maneira geral, estão adotando novas formas de ensinar? Você observou isso acontecendo no Brasil, quando esteve aqui em janeiro?
KHAN: Vejo progressos. Instituições como Harvard, Stanford e MIT, nos EUA, querem tornar suas aulas mais interativas. No Brasil, conheci pessoas que tratam a educação como prioridade, mas não visitei escolas. Acho que vamos ver sérios progressos acontecendo no mundo todo nos próximos dez anos. Vamos descobrir melhores práticas, a banda larga será mais acessível e o universo de professores vai se renovar.

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fonte: oglobo.globo.com

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